Durante muitas décadas a mulher foi vista apenas como uma reprodutora, como uma dona de casa e sempre foi submissa ao sexo masculino. Não tinha o direito de questionar, de exigir alguma coisa, pois o homem sempre determinou que não fossem capazes de pensar sozinhas, não eram providas de força e, portanto, dependiam de um pai, irmão, esposo ou qualquer outra figura masculina para sustentá-las.
Porém na Pré-história, percebemos que o papel da mulher era bem diferente. As mulheres é que sustentavam a casa, pois eram elas quem saíam para buscar o alimento e nunca foram o sexo frágil. Até mesmo a Revolução Agrícola foi responsabilidade das mulheres.
No Brasil, após a posse de Portugal, as mulheres européias que vieram para cá tiveram bastante liberdade. O país ainda não havia sido colonizado, por isso, as mulheres que não tinham posses nem maridos e tinham que trabalhar para se sustentar, podiam ir e vir para onde quisessem, além de poder escolher com quem queriam se casar. Não havia ainda a presença da Igreja, o que tornava a sociedade bastante flexível. Nesta época, as mulheres sustentavam a casa, pois o país estava em fase de construção e os homens viviam fora de casa, buscando ouro e outras formas de enriquecimento rápido. Também não existia o casamento formal, a maior parte dos casais eram concubinatos, sem vínculos legais ou religiosos.
Quando Portugal decidiu colonizar o Brasil, trouxe então a igreja para organizar e regrar a sociedade impondo uma nova conduta à mulher, que deveria ficar em casa, além disso, a mão de obra feminina passou a ser desnecessária com a chegada dos escravos. Então, a mulher voltou a ser a reprodutora e dona de casa. A mulher podia sofrer os mais diversos tipos de agressões e humilhações, principalmente, se não tivesse filhos.
Com a Revolução Industrial, iniciaram-se grandes guerras em busca do poder entre as nações e muitos homens foram lutar nessas guerras e muitos morreram, levando a mulher, mais uma vez, a exercer um forte papel na sociedade: sustentar a família com seu trabalho.
No século XX, ela retoma seu papel e busca seus direitos de cidadã. Leva muito tempo para as mulheres levantarem e buscarem sua liberdade de expressão, seu direito ao trabalho e ao voto também, mas enfim elas conseguem.
O homem sempre fez com que a mulher pensasse que era inteiramente dependente dele e que não poderia fazer nada sozinha, sempre fez com que a própria sociedade visse as mulheres livres como indignas e sujas. Mesmo hoje, o pensamento machista ainda predomina em alguns lugares e em alguns homens que consideram a mulher que vive sozinha ou que trabalhe para sustentar-se sem a ajuda de um homem, uma mulher de vida fácil.
Hoje, a mulher conquistou o direito de ser não apenas dona de casa e reprodutora, mas também o direito de ter direito a liberdade, de poder exigir, questionar. A mulher consegue ser mãe, pai, trabalhar, sustentar e ainda assim ser feminina e ser mulher.
Apesar de ter ganhado destaque em diversas profissões ditas “masculinas”, ela não perdeu a essência do que é ser mulher. Mesmo trabalhando e sempre querendo mais de tudo que já conquistou a mulher ainda tem o desejo de ser mãe, de reproduzir e as que já têm filhos tentam de toda maneira não se esquecer de ser mãe.
A sociedade e o homem estão se acostumando a essa nova mulher que busca mais do que um sonho, mas um ideal. Tudo que ela quer é mostrar que pode ter um espaço melhor na sociedade e que não é apenas um ser sensível e frágil, que não é apenas um corpinho ou um rosto bonito, mas que tem um cérebro que funciona e tem uma força tão grande que chega a ser imensurável.
Para alcançar a realização e o reconhecimento que a mulher tem hoje, foi necessário um caminho e uma luta muito grande, o esforço de várias mulheres que fizeram história para mostrar que eram fortes e que qualquer uma poderia ser o que quisesse desde que lutasse e corresse atrás disso. Mulheres como Joana D’Arc e, não tão longe, Maria Quitéria.
Porém, quantas delas, mas não tão famosas conhecemos hoje? Quantas mulheres que lutam diariamente para manter-se de pé, para sustentar uma família inteira? Quantas mulheres que perderam maridos e, assim como aquelas do Brasil pré colônial, trabalham para sustentar seus filhos tentando ser mãe e pai? Tentando criar seus filhos no “mundo cão” cheio de perigos tão secretos que essas mulheres nem conhecem e, mesmo assim, lutam contra eles. Quantas dessas mulheres não conhecemos e não estão tão próximas de nós? Basta olhar em volta e ver nos olhos de nossas mães, tias, avós e veremos em cada uma delas um pedaço de Maria Quitéria, que mostrou toda sua força física. Veremos nelas mais que força física, veremos o talento de ser mãe, mulher e trabalhadora ao mesmo tempo.
E então, quem é o sexo frágil? Qual o papel da mulher na sociedade? A mulher deixou de ser mãe?
A mulher é sensível, mas não é frágil. Ela é soberana, viril e desempenha, com muito louvor e graça, todos os papéis que lhe foram dados e que por elas foi conquistado: mulher, mãe, trabalhadora e sempre feminina.
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